terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Este poeminha foi musicado por um grande amigo que se foi (Astério), e em decorrência de sua IDA, a canção ficou perdida...

COMPONDO SONHO

Preciso compor, urgente
um poema bem bonito
pra lhe dizer novamente
que te amo muito mais
cada vez que você volta
Linda (mente) pros meus braços
sugerindo nova PAZ.

Preciso compor, urgente
uma canção bem bonita
pra cantar aos teus ouvidos
nas manhãs de Primavera
que você é a flor mais linda
cujo perfume exótico
embriaga a atmosfera
e perfuma o meu AMOR.

Preciso compor, urgente
um jardim ao meio-dia
pra plantar a Alegria
que você sempre me traz.
Preciso compor canções,
poemas e até jardins -
mas do que eu preciso mesmo
é de você perto de mim!

Ei-lo, meu poeminha, querendo
te conquistar!

Este singelo poeminha foi musicado pelo meu caríssimo amigo Álvaro Afonso:

AMSTERDÃ

Este singelo poeminha eu escrevi para o César e o Eugênio, há cerca de 30 anos...

G I R A S S O L

Um girassol
                 inventa
       o Sol
Num dia claro,
       de manhã...

Inventa homens
            e seus pássaros
e atrai a todos
como um ímã
                    (talismã)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Essa é véia!!!

PÁSSARO DE VIDRO

O pássaro sereno
                 que come a Aurora
atrasa os homens
                 que estão por nascer.

O pássaro Vadio
                  voa da Catedral do Nada
ao Paraíso
                  e alcança o Infinito
através da Palavra,
                  entre as luzes da Razão,
nas plumas do I r r e a l.

Sonha com frequência
                  a amplitude do Universo,
mas acorda recostado
                  à sombra de um pé-de-maçã
que é feito de vários
                  números, cérebros, ilusões...

O pássaro telepático
                 perturba o sono das árvores
e assume a Liberdade
                 ao sair do Libirinto
que foi chamado de
                 T E M P O.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DISTÂNCIA

Meu amor anda distante,
sonhando jardins suspensos,
ao passo que seu amante
sobrevive de silêncio.
Meu amor anda distante...

Meu amor está tão perto
que nem precisa dizer nada
pra que eu saiba, no deserto,
interpretar sua palavra.
Meu amor está tão perto...

Meu amor anda ausente,
alheio a tudo que quero,
pois parece que nem sente
o tempo em que desespero.
Meu amor anda ausente...

Meu amor anda tão longe
do que eu transformo em carinho,
que às vezes até se esconde
e me deixa aqui sozinho.
Meu amor anda tão longe...

Meu amor anda onde quer,
negando abraço e beijo,
mas no dia em que eu quiser
satisfará meu DESEJO?
Meu amor anda onde quer...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

DIVALDO PEREIRA FRANCO - ORADOR ESPÍRITA BAIANO
A EDUCAÇÃO PARA A PLENITUDE DO SER
Narra-se que o extraordinário orador ateniense Licurgo
um convite para falar sobre a educação. Depois de haver reflexionado,
o mestre da oratória solicitou à comissão que lhe concedesse seis meses
para preparar o tema.
Na oportunidade estabelecida, no imenso anfiteatro de Atenas, Licurgo
apresentou-se, levando algumas jaulas, nas quais estavam dois cães e duas
pequenas lebres.
Antes de emitir qualquer conceito, o admirável filósofo, que era psicó-
logo, abriu uma das jaulas e libertou uma lebre; ato contínuo, abriu outra jaula
e libertou um mastim. O cão desesperado saiu em desabalada correria e,
caçando a lebre, surpreendeu-a, estraçalhando-a, diante da multidão comovida.
Ainda não terminara aquele impacto perturbador, quando Licurgo abriu
uma outra jaula e libertou outra lebre, abriu ainda mais uma e libertou outro
cão. Dominadas pela cena grotesca de antes, as pessoas aguardavam que
se repetisse a cena deprimente. Para surpresa geral, o cão acercou-se da
lebre e começou a brincar com solidariedade. A pequenina lebre também, por
sua vez, acercou-se do animal e começou a lamber-lhe as patas e, como dois
amigos, estiveram deitando e rolando no solo.
Ante a emoção que tomou conta de todos, Licurgo começou a sua peça
de oratória dizendo:
a mesma alimentação. A diferença entre o primeiro e o segundo é que o
segundo foi EDUCADO, o primeiro, não.
Aí estava demonstrada, de maneira incontestável, a excelência da EDUCAÇÃO.
- Os dois cães são da mesma raça, têm a mesma idade, receberam
1, recebeu oportunamente

terça-feira, 29 de novembro de 2011

FASCÍNIO

Estou tentando entender
o que é que me acontece
toda vez que eu te vejo:

Não sei se é Medo,
se é Desejo
ou se é Fascinação.

Eu somente compreendo
que tua presença me provoca,
mas quando eu abro a boca

Pra proferir a sentença,
pronunciar a acusação,
desfaz-se minha defesa;

eu me rendo à tua beleza
e apenas penso - T E S Ã O!

domingo, 27 de novembro de 2011

Escrevi Pra Marcli Há Muitos Anos...

SONHO

Flor,
         te sonhava louca,
         como eu,
                        de amor...
E te sonhava
         flor
porque é flor que você é.


Acordei sentindo
                 ainda o seu
p e r f u m e:
                    (algo de jasmim,
algo de ciúme).
                    E me apaixonei
ficando suspenso
                    entre estes dois gestos:

a mão que vacila ao tentar tocá-la
e o olhar perdido na CONTEMPLAÇÃO!

sábado, 19 de novembro de 2011

Poema Cubista - ao Prof. e Sociólogo Edir Jesus - meu dileto amigo:

SALA COM MAÇÃ AO CENTRO
(poema socialmente engajado)

Onde nada pode
supor
             Uma fruta
Inacabada,
              Ela habita
mesmo de fruta:
sugestiva,
               porém vaga.

Se se supõe
              que é fruta,
ainda que incompleta,
pela ausência
               ao paladar
é que Ela
               se projeta.

Se alguém sonha
que a fruta
                de manhã
se desintegra,
                 Ela instaura
seu sabor
                 e ao gosto
se revela.

Mas corrompe, com
              o habitar,
a Sala (seu habitat)
que de tanto
                   a abrigar
se torna
            a Coisa abrigada;

Depois, a fruta
ou a sala
             (ambas, quem sabe?)
sugerem N A D A:

maçã em sala branca
(alimento e habitação).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PAZ

Rara palavra
pronunciada nesta manhã:
Palavra vã?

Nada significa pronunciá-la
nalguma sala,
ela se cala (em si fechada).

Palavra viva!
Porém pensá-la
não representa alternativa.

Palavra clara -
branca e aberta
(errada ou certa)
nalguma frase,
se a pronuncia
a voz de alguém.

Mas se também for esquecida,
não se importa
em ser a porta
que a própria Vida
sempre procura.

Sempre futura, nunca se instaura
nem se inaugura,
é conjetura,
remota hipótese.

Vale instaurá-la,
inaugurá-la,
fazê-la SER!!!

LAGRILÂMINA

O punhal desse horizonte
que nosso olhar irradia
É secreto como a fonte
noturna e, talvez
Vazia

E, por mais afiado que esteja,
não corta, não acredita...
Beija a luz clara que seja
do dia que nos habita

Por isso eu me escondo
e durmo,
Mas você vem e me excita,
sentada pela metade
em outro lugar, aflita

Se transformando em Saudade:
punhal fincado na vista!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ao médico, poeta, compositor, cantor e AMIGO Álvaro Afonso...



TEMPO DE SOBRA



Quero desejar, antes do Fim, pra mim e meus
amigos, muito Amor e tudo mais: que fiquem
sempre jovens, mantenham as mão limpas e
aprendam o Delírio com coisas Reais...”
Belchior




Eis que nos inventamos jovens!
(e o que é isso, afinal?)
Então nós já temos Medo
e temos também desejos
que acabamos de inventar!

Nós temos Tempo de sobra,
e é por isso que brincamos
com a coisa “séria” dos outros.
(quem há de negar aos jovens o tempo feito brinquedo?)

Nós não temos quase Nada,
apenas a JUVENTURA,
ou seja: Tempo de sobra
transformado em Loucura.
(alguém saberá o que seja?)

Nós temos a Irreverência, a Impetuosidade, etc...
E o Tempo? Deixe-o passar!
Nós temos bastante tempo
pra gastar em Brancas Nuvens...

Nós temos a Juventude
(embora amaldiçoada),
aliás nós não temos Nada:
(“quem dera a juventude a vida inteira!”)

Eis que nos descobrimos Velhos!
E o que é isso, afinal?

Tempo de sobra?

tempo de Sobras?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DE PONTA A PONTA

A mulher risonha
que ri e sonha
Jamais esquece
o que acontece
Quando se “perde”
e, quando se encontra,
Retoma a conta
de ponta a ponta.

Se o Sol desponta,
ela levanta
E sai à procura,
na noite escura,
de SOL-idão.

A solitária
mulher da rua
não anda nua
nem anda em vão.
Ela envia
sua mensagem
pela paisagem
desta cidade.

Durante a idade
fabrica doce
como se fosse
confeitaria.

A mulher que ria
ainda não chora
Nem vai embora
saber do sono,
Porque seu “dono”
a quer desperta
E santa e certa,
mas ela diz
-- A ser feliz
no mundo louco,
que pouco a pouco
me deixa Louca,
prefiro a “boca”
da MERETRIZ!

José Laércio Verza

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Seresta Sertaneza

Elomar Figueira Melo

Nos raios de luz de um beijo puro
me estremeço e eis-me a navegar
por cerúleas regiões,
onde ao avaro e ao impuro não é dado entrar.

Tresloucado cavaleiro andante
a vasculhar espaços
de extintos ceus,
num confronto derradeiro
vencí Prometeu, anjo do mal,
o mais cruel
acusador de meus irmãos.

Nestes mundos dissipados
magas entidades dotam o corpo meu
de poderes encantados,
mágicos sentidos
na razão dos céus;
pois fundir o espaço e o tempo,
vencer as tentações rasteiras
do instinto animal,
só é dado a quem vê no AMOR
o único Portal...

Através de infindas sendas,
vias estelares, um cordel de luz
trago atado ao umbigo ainda,
pois não transmudei-me ao Reino dos Cristais,
apois Deus acorrentou os sábios
na prisão escura das três dimensões
e, escravizados desde então,
a serviço dos maus,
vivem a mentir,
vivem a enganar,
a iludir os corações...

Visitante das estrelas.
hóspede celeste, visões ancestrais
me torturam, pois ao tê-las,
quebra o encanto e torno ao mundo de meus pais,
à minha origem planetária:
enfrentar a mansão da Morte do Pranto e da Dor...
Donzela, fecha esta janela
e não me tentes mais!

terça-feira, 18 de outubro de 2011


LAVOURA

1.
Neste solo árido
Onde ninguém lavra
Eu lanço a semente
Da minha palavra
2.
Ela brota e morre,
Às vezes nem brota,
Pois ninguém socorre
Uma palavra torta
3.
Lavrador incauto,
Fico insistindo
Em plantar no asfalto
Meu verso tão lindo!
4.
Mas o Sol dos homens
De alma pequena
Vem, com sua fome,
E devora o poema
5.
Eu nunca me zango
E, com Alegria,
Sigo semeando
Bastante Poesia
6.
Quem quiser que leia
O que eu escrevo
Ou então esqueça,
Mas eu não me esqueço
7.
Que esse gesto mínimo
De escrever Poesia
Já me fez cativo
a minha revelia.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Poema em Linha Reta

Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
[538]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Poema em Linha Reta

Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
[538]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Balada para um Louco


Balada Para Um Louco (viva Os Loucos Que Inventaram o Amor)

Moacyr Franco (Astor Piazzola)

Num dia desses ou, numa noite dessas
... você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!

Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flôres da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.

Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.

Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.

Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.
Ah! Ah! Ah!
Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim.
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
Viva! viva! viva!
...

Balada para um Louco


Balada Para Um Louco (viva Os Loucos Que Inventaram o Amor)

Moacyr Franco (Astor Piazzola)

Num dia desses ou, numa noite dessas
... você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!

Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flôres da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.

Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.

Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.

Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.
Ah! Ah! Ah!
Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim.
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
Viva! viva! viva!
...

domingo, 9 de outubro de 2011

"SENTIDO"

Toda manhã de Sol eu saio pra ver a Vida... E vejo!
E não tenho medo de não ter medo de ver tanta coisa assim!
Assim como se ser alguém com essa "coragem" toda de não tomar outra Droga se não a Realidade
pra ver a Vida tão cedo fosse uma coisa
Realmente corajosa (ou assustadoramente linda).
Vou caminhando na manhã e saio até dos limites que nós, os homens, criamos e chamamos de cidade.
Eu transgrido esses limites e invado com os olhos e com todo o raciocínio essa espécie de fascínio que
chamamos SENTIMENTO.
E eu sinto intensamente as coisas que vejo ou penso que estão acontecendo de verdade ao meu redor...
Caminho por uma estrada que me dá a sensação de não mais poder voltar, mas eu volto e descubro que não é so sensação.
Às vezes eu "viajo" na realidade das pessoas que me rodeiam e sinto que esta minha "viagem" certamente não é REAL. Porque a viagem das pessoas que me rodeiam certamente não é a minha...
A minha realidade é a de alguém que caminha no fundo do Oceano, sem mapas, rotas ou planos, nem medo de se perder.
Eu adentro as propriedades INVENTADAS pelos homens e muitas vezes fico triste por serem tolos os homens. Eu caminho entre eles e lhes sorrio toda minha Fascinação!
Olho para o Céu e para o Sol e descubro que estou vivo. Então eu amo imensamente viver a Vida assim tão irremediavelmente Infinita, tão inusitadamente bela!
Sem nenhuma ansiedade, sem nenhuma pretensão, e - de certa forma - em Paz!
Eu sei que mais adiante é possível que eu lamente a alucinação dos homens, a sua Loucura inútil. Mas mesmo assim eu prossigo e imensamente agradeço a grande oportunidade de estar AQUI e AGORA pra mais esta Sensação. É a vida... e continua!!!
                                                                  José Laércio Verza

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dicas

Pessoal, quem ainda não experimentou não sabe o que está perdendo:
Na Literatura -
João Guimarães Rosa (Grande Sertão - Veredas, Primeiras Estórias, Terceiras Estórias, Estas Estórias, etc...), Machado de Assis (Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, etc...), Osman Lins (Avalovara, Nove Novena, etc...), Fernando Pessoa (Ele mesmo ou os Outros!), Drummond, Saramago, Herman Hesse, Dostoievski, Gogol, Gorki, Kafka, Borges, João Ubaldo, etc, etc, etc...
Na Música -
Elomar, Xangai, Dércio Marques, Chico Maranhão, Francisco AAfa, Teca Calazans, Celso Adolfo, Vital Farias, Vidal França, Luli & Lucina, Almir Sater, Renato e Chico Teixeira, Rolando Boldrin, Sérgio Reis, Zé Fortuna, Dino Franco, Pena Branca, Chico Lobo, Renato Andrade, Marlui Miranda, Adauto Santos, Passoca, Saulo Laranjeira, Luiz Melodia, Ednardo, Gereba, Capenga, Naná Vasconcelos, Tom Zé, João Bá, etc...
No Cinema - Todos os italianos (Pasolini, Fellini, Rosselini, Antonioni, De Sica, Monicelli, Benigni, Bertolucci, Sergio Leone, entre outros), os franceses (Godard, Resnais, Truffaut, Chabrol, etc...), alemães (Herzog, Win Wenders, Fritz Lang, etc...), espanhóis, começando por Almodóvar, Fernando Trueba, Bigas Luna, até o louco Bunuel...
Isto é como uma droga maravilhosa, totalmente viciante. Vamos enfiar o pé na jaca!?

domingo, 2 de outubro de 2011

Maiakovski

Tive que postar este poema aqui, pq muita gente "culta" pensa que é do próprio Maiakoviski:

No Caminho, com Maiakóvski
Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


sábado, 1 de outubro de 2011

Brecht


“Fragen eines lesenden Arbeiters”
(Perguntas de um trabalhador que lê).

Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?
Nos livros estão nomes de reis; os reis carregaram pedras?
... E Babilônia, tantas vezes destruída, quem a reconstruía sempre?
Em que casas da dourada Lima viviam aqueles que a
edificaram?

No dia em que a Muralha da China ficou pronta,
para onde foram os pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos-do-triunfo:
quem os erigiu? Quem eram
aqueles que foram vencidos pelos césares? Bizâncio, tão
famosa, tinha somente palácios para seus moradores? Na
legendária Atlântida, quando o mar a engoliu, os afogados
continuaram a dar ordens a seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho? BERTOLD BRECHT

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Soneto

Vai aí um poeminha querendo ser soneto, cheio de Augusto dos Anjos: 

O MENINO VELHO

Cansado dos tormentos desta vida,
O homem velho quis voltar à Infância:
Viajou no Tempo e se entregou à ânsia
De reviver a meninice perdida.


Mas ele não percebe, em sua Ignorância,
Que sua batalha já começou vencida,
Pois quem está cansado de sua própria lida,
Não poderá vencer o Tempo e a Distância.


E não tem sossego nem um só momento
Esse homem em guerra contra o vão Tormento
Que o tem assombrado pelos vendavais...


Não está escrito em nenhum Evangelho,
Mas eu sei que sou Eu esse menino velho
E sei que a Infância já não volta jamais...

José Laércio Verza

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

OBSCURANTISMO

Não é todo dia que a gente tem coisa pra postar num blog, mas saiba que todo dia eu travo algumas batalhas contra o obscurantismo. Acho que a Idade Média ainda não acabou...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Início

Neste espaço procurarei publicar um pouco daquilo que eu penso sobre as coisas. Gosto de usar o raciocínio e, às vezes, sou meio ácido. Pricipalmente sobre as patacoadas políticas. Mas vou falar também sobre cultura, filosofia, religião, etc...