segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DE PONTA A PONTA

A mulher risonha
que ri e sonha
Jamais esquece
o que acontece
Quando se “perde”
e, quando se encontra,
Retoma a conta
de ponta a ponta.

Se o Sol desponta,
ela levanta
E sai à procura,
na noite escura,
de SOL-idão.

A solitária
mulher da rua
não anda nua
nem anda em vão.
Ela envia
sua mensagem
pela paisagem
desta cidade.

Durante a idade
fabrica doce
como se fosse
confeitaria.

A mulher que ria
ainda não chora
Nem vai embora
saber do sono,
Porque seu “dono”
a quer desperta
E santa e certa,
mas ela diz
-- A ser feliz
no mundo louco,
que pouco a pouco
me deixa Louca,
prefiro a “boca”
da MERETRIZ!

José Laércio Verza

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Seresta Sertaneza

Elomar Figueira Melo

Nos raios de luz de um beijo puro
me estremeço e eis-me a navegar
por cerúleas regiões,
onde ao avaro e ao impuro não é dado entrar.

Tresloucado cavaleiro andante
a vasculhar espaços
de extintos ceus,
num confronto derradeiro
vencí Prometeu, anjo do mal,
o mais cruel
acusador de meus irmãos.

Nestes mundos dissipados
magas entidades dotam o corpo meu
de poderes encantados,
mágicos sentidos
na razão dos céus;
pois fundir o espaço e o tempo,
vencer as tentações rasteiras
do instinto animal,
só é dado a quem vê no AMOR
o único Portal...

Através de infindas sendas,
vias estelares, um cordel de luz
trago atado ao umbigo ainda,
pois não transmudei-me ao Reino dos Cristais,
apois Deus acorrentou os sábios
na prisão escura das três dimensões
e, escravizados desde então,
a serviço dos maus,
vivem a mentir,
vivem a enganar,
a iludir os corações...

Visitante das estrelas.
hóspede celeste, visões ancestrais
me torturam, pois ao tê-las,
quebra o encanto e torno ao mundo de meus pais,
à minha origem planetária:
enfrentar a mansão da Morte do Pranto e da Dor...
Donzela, fecha esta janela
e não me tentes mais!

terça-feira, 18 de outubro de 2011


LAVOURA

1.
Neste solo árido
Onde ninguém lavra
Eu lanço a semente
Da minha palavra
2.
Ela brota e morre,
Às vezes nem brota,
Pois ninguém socorre
Uma palavra torta
3.
Lavrador incauto,
Fico insistindo
Em plantar no asfalto
Meu verso tão lindo!
4.
Mas o Sol dos homens
De alma pequena
Vem, com sua fome,
E devora o poema
5.
Eu nunca me zango
E, com Alegria,
Sigo semeando
Bastante Poesia
6.
Quem quiser que leia
O que eu escrevo
Ou então esqueça,
Mas eu não me esqueço
7.
Que esse gesto mínimo
De escrever Poesia
Já me fez cativo
a minha revelia.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Poema em Linha Reta

Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
[538]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Poema em Linha Reta

Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
[538]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Balada para um Louco


Balada Para Um Louco (viva Os Loucos Que Inventaram o Amor)

Moacyr Franco (Astor Piazzola)

Num dia desses ou, numa noite dessas
... você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!

Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flôres da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.

Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.

Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.

Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.
Ah! Ah! Ah!
Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim.
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
Viva! viva! viva!
...

Balada para um Louco


Balada Para Um Louco (viva Os Loucos Que Inventaram o Amor)

Moacyr Franco (Astor Piazzola)

Num dia desses ou, numa noite dessas
... você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!

Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flôres da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.

Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.

Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.

Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.
Ah! Ah! Ah!
Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim.
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
Viva! viva! viva!
...

domingo, 9 de outubro de 2011

"SENTIDO"

Toda manhã de Sol eu saio pra ver a Vida... E vejo!
E não tenho medo de não ter medo de ver tanta coisa assim!
Assim como se ser alguém com essa "coragem" toda de não tomar outra Droga se não a Realidade
pra ver a Vida tão cedo fosse uma coisa
Realmente corajosa (ou assustadoramente linda).
Vou caminhando na manhã e saio até dos limites que nós, os homens, criamos e chamamos de cidade.
Eu transgrido esses limites e invado com os olhos e com todo o raciocínio essa espécie de fascínio que
chamamos SENTIMENTO.
E eu sinto intensamente as coisas que vejo ou penso que estão acontecendo de verdade ao meu redor...
Caminho por uma estrada que me dá a sensação de não mais poder voltar, mas eu volto e descubro que não é so sensação.
Às vezes eu "viajo" na realidade das pessoas que me rodeiam e sinto que esta minha "viagem" certamente não é REAL. Porque a viagem das pessoas que me rodeiam certamente não é a minha...
A minha realidade é a de alguém que caminha no fundo do Oceano, sem mapas, rotas ou planos, nem medo de se perder.
Eu adentro as propriedades INVENTADAS pelos homens e muitas vezes fico triste por serem tolos os homens. Eu caminho entre eles e lhes sorrio toda minha Fascinação!
Olho para o Céu e para o Sol e descubro que estou vivo. Então eu amo imensamente viver a Vida assim tão irremediavelmente Infinita, tão inusitadamente bela!
Sem nenhuma ansiedade, sem nenhuma pretensão, e - de certa forma - em Paz!
Eu sei que mais adiante é possível que eu lamente a alucinação dos homens, a sua Loucura inútil. Mas mesmo assim eu prossigo e imensamente agradeço a grande oportunidade de estar AQUI e AGORA pra mais esta Sensação. É a vida... e continua!!!
                                                                  José Laércio Verza

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dicas

Pessoal, quem ainda não experimentou não sabe o que está perdendo:
Na Literatura -
João Guimarães Rosa (Grande Sertão - Veredas, Primeiras Estórias, Terceiras Estórias, Estas Estórias, etc...), Machado de Assis (Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, etc...), Osman Lins (Avalovara, Nove Novena, etc...), Fernando Pessoa (Ele mesmo ou os Outros!), Drummond, Saramago, Herman Hesse, Dostoievski, Gogol, Gorki, Kafka, Borges, João Ubaldo, etc, etc, etc...
Na Música -
Elomar, Xangai, Dércio Marques, Chico Maranhão, Francisco AAfa, Teca Calazans, Celso Adolfo, Vital Farias, Vidal França, Luli & Lucina, Almir Sater, Renato e Chico Teixeira, Rolando Boldrin, Sérgio Reis, Zé Fortuna, Dino Franco, Pena Branca, Chico Lobo, Renato Andrade, Marlui Miranda, Adauto Santos, Passoca, Saulo Laranjeira, Luiz Melodia, Ednardo, Gereba, Capenga, Naná Vasconcelos, Tom Zé, João Bá, etc...
No Cinema - Todos os italianos (Pasolini, Fellini, Rosselini, Antonioni, De Sica, Monicelli, Benigni, Bertolucci, Sergio Leone, entre outros), os franceses (Godard, Resnais, Truffaut, Chabrol, etc...), alemães (Herzog, Win Wenders, Fritz Lang, etc...), espanhóis, começando por Almodóvar, Fernando Trueba, Bigas Luna, até o louco Bunuel...
Isto é como uma droga maravilhosa, totalmente viciante. Vamos enfiar o pé na jaca!?

domingo, 2 de outubro de 2011

Maiakovski

Tive que postar este poema aqui, pq muita gente "culta" pensa que é do próprio Maiakoviski:

No Caminho, com Maiakóvski
Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


sábado, 1 de outubro de 2011

Brecht


“Fragen eines lesenden Arbeiters”
(Perguntas de um trabalhador que lê).

Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?
Nos livros estão nomes de reis; os reis carregaram pedras?
... E Babilônia, tantas vezes destruída, quem a reconstruía sempre?
Em que casas da dourada Lima viviam aqueles que a
edificaram?

No dia em que a Muralha da China ficou pronta,
para onde foram os pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos-do-triunfo:
quem os erigiu? Quem eram
aqueles que foram vencidos pelos césares? Bizâncio, tão
famosa, tinha somente palácios para seus moradores? Na
legendária Atlântida, quando o mar a engoliu, os afogados
continuaram a dar ordens a seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho? BERTOLD BRECHT