LAVOURA
1.
Neste solo árido
Onde ninguém lavra
Eu lanço a semente
Da minha palavra
2.
Ela brota e morre,
Às vezes nem brota,
Pois ninguém socorre
Uma palavra torta
3.
Lavrador incauto,
Fico insistindo
Em plantar no asfalto
Meu verso tão lindo!
4.
Mas o Sol dos homens
De alma pequena
Vem, com sua fome,
E devora o poema
5.
Eu nunca me zango
E, com Alegria,
Sigo semeando
Bastante Poesia
6.
Quem quiser que leia
O que eu escrevo
Ou então esqueça,
Mas eu não me esqueço
7.
Que esse gesto mínimo
De escrever Poesia
Já me fez cativo
a minha revelia.
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